quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Trem na Europa. Já pensou?

Pesquisa site:
www.viajenaviagem.com.br

Trem na Europa. Já pensou?


Para mim o trem é a expressão máxima da civilização européia: eficiente, charmoso, democrático, tradicional mas em permanente modernização. No trem você viaja anônimo (só há check-in nos trens AVE espanhóis e no Eurostar, e a conferência de passaportes só acontece quando se ultrapassa a fronteira do espaço Schengen) e ninguém implica com o que você leva na bagagem de mão. Tampouco você é submetido às mesmíssimas explicações básicas toda vez que sobe num vagão. Quem nunca andou de trem talvez sinta falta daquele beabá que acompanha todo o penoso processo de check-in e embarque dos aviões. Mas basta chegar com alguma antecedência nas primeiras vezes, e logo você vai usar o trem com a mesma naturalidade dos nativos.
O trem é o meio mais rápido e civilizado de chegar a qualquer lugar situado a até 4 horas de distância. Para comparar: um vôo de uma hora de duração costuma resultar (pelo menos) nas mesmas quatro horas de viagem, contando os perrengues envolvidos no deslocamento, check-in e recolhimento de malas. (Para comparar tempo de vôo x tempo de trilhos, acrescente sempre três horas à duração do vôo.) O trem deixa você no centro da cidade, muitas vezes a poucos passos do seu hotel. É imbatível para explorar regiões delimitadas, com paradas em cidades de médio e grande porte, onde o carro seria um estorvo.
Na hora de cobrir grandes distâncias, o trem perde feio para o avião. Oito ou dez horas num trem podem ser ainda mais desgastantes do que o mesmo período no ar. Trens também não são interessantes como se imagina para apreciar paisagens. Claro que existem as rotas realmente panorâmicas, mas são poucas (as da Suíça são imbatíveis). Nos trens de alta velocidade, então, só se vê um borrão na janela. Para apreciar o caminho (percorrendo estradas secundárias), o carro ainda é mais indicado na maioria dos lugares.
Quanto tempo leva o trem entre Budapeste e Viena? Quais são as paradas intermediárias de Milão a Florença? Será que dá para ir e voltar confortavelmente de Paris ao Mont-St.-Michel no mesmo dia? O lugar para você começar a destrinchar a sua viagem de trem pela Europa é no site da Deutsche Bahn, a ferrovia alemã. Desde os primórdios da internet, a Bahn oferece o melhor (e mais amigável) banco de dados sobre as ferrovias de toda a Europa. Dica: simule viagens sempre nos próximos 30 dias.
Com exceção do Eurostar que cruza o canal da Mancha, no trem europeu você não despacha as malas, nem tem nenhuma restrição de peso a transportar. A limitação está justamente no tamanho de bagagem que você consegue carregar sozinho para dentro do trem e armazenar nos compartimentos disponíveis. Malas maiores devem ser postas nas prateleiras que se encontram na entrada dos vagões; se já estiverem ocupadas, você vai ter que fazer força para pôr no compartimento acima do seu assento. A experiência leva os passageiros de trem a viajar leve. Procure viajar com uma mala de quatro rodinhas tamanho M (65 centímetros de altura, em pé). Leve também um cadeado de bicicleta para prender a mala ao gradil da prateleira, e assim não passar aflição enquanto a mala não estiver sob a sua mira (obrigado, Sylvia).
É o equivalente à classe econômica dos aviões -- só que, em todo de até 10 anos de idade, é bem mais confortável do que a classe econômica dos aviões. É onde os europeus viajam.
A primeira classe tem assentos mais confortáveis e com um pouco mais de espaço; tem também menor disputa de espaço para colocar malas (até porque grande parte dos ocupantes são executivos que não vão com malas de turista). Em algumas ferrovias o wifi é incluído e pode haver café de cortesia. Na ponta do lápis, vale a pena quando aparece uma tarifa promocional.
Nos trens rápidos de Espanha, França e Itália, e em trens internacionais como o multinacional Thalys e o alemão ICE-Sprinter as reservas são compulsórias; só sobe no trem quem tem reserva.
Nos trens regionais em toda a Europa nunca é preciso reservar lugar (e na maioria das vezes isso nem é possível). Nesses trens pode-se inclusive viajar em pé.
Na Alemanha (com exceção do ICE-Sprinter), na Holanda (com exceção do Thalys) e no Leste Europeu os trens levam passageiros com e sem reserva. Os assentos reservados têm uma sinalização específica, que na maioria das vezes informa o trecho para o qual o assento foi reservado. Mesmo sem reserva, você pode ocupar esses assentos nos trechos em que não estejam reservados.
Um bom lugar para viajar sem reserva -- nos trens em que é possível embarcar sem reserva -- são os vagões-bares.
Muita gente sonha em viajar de trem à noite. Lamento informar que não é tão divertido quanto ver neve ou subir na Torre de Pisa. Trens chacoalham, fazem barulho, param em estações pelo caminho (ocasiões em que sobem e descem passageiros). Quem não está acostumado pode acabar pagando para passar a noite em claro. Chegar cedo demais ao destino também pode não compensar: poucas cidades funcionam antes das 9 ou 10 horas, e é provável que o quarto do seu hotel só esteja disponível depois do meio-dia.
Os passes de trem já não compensam como antigamente. Hoje em dia não são mais emitidos por dias corridos, e sim por dias estanques de viagem. Na ponta do lápis, só valem muito a pena quando envolvem longos deslocamentos – justamente aqueles trechos que são melhor feitos de avião. Comprando com antecedência trechos ponto a ponto diretamente nos sites das companhias ferroviárias européias você consegue tarifas descontadas. No entanto, para compras de última hora – quando os descontos já se esgotaram – os passes podem se justificar economicamente também. A maior vantagem é poder mudar o itinerário (dentro da área de abrangência do passe). A parte chata é precisar fazer reservas de assentos em trens rápidos ou internacionais – e pagar entre €4 e €22 de taxa suplementar por viagem. Nos trens noturnos os suplementos vão de €25 (beliche num compartimento de seis) a €105 (cabine individual). Os passes mais vantajosos são o German Pass (válido na Alemanha, com direito a ir até Salzburgo na Áustria e Basiléia na Suíça) e o Swiss Pass, que dá direito também a barco e ônibus.
O melhor negócio é descolar seus trechos ponto a ponto diretamente nos sites das companhias ferroviárias européias. Comprar com antecedência no site do país no qual se origina o trecho pode garantir descontos de até 70%. Na Deutsche Bahn(Alemanha), trechos de €19 e €29 aparecem 81 dias antes da data. Na Voyages-SNCF (França), as tarifas Prem e Loisirs aparecem com 90 dias de antecipação. NaTrenitalia (Itália), as tarifas Mini (60%) dos trechos de alta velocidade aparecem com 60 dias (há leitores que estão achando com 90 dias, então comece pesquisando cedo). Na Renfe (Espanha), as tarifas Web e Estrella começam a pulular entre 120 e 90 dias antes da viagem. Você também pode xeretar ofertas nos sites do Thalys (Paris-Bruxelas-Amsterdã, com um braço Bruxelas-Colônia), NS Hispeed (Holanda), ÖBB (Áustria), SBB (Suíça), CP (Portugal), CD (República Tcheca) e TheTrainLine (Reino Unido). Para comprar passagens no Eurostar saindo de Londres, use Eurostar.co.uk; saindo de Paris, Voyages-SNCF.
Não tente comprar com antecedência demasiada: antes dos prazos descritos no parágrafo anterior, os trens (e os descontos) podem ainda não estar inseridos no sistema. (Isso é ainda mais verdadeiro no fim do ano, quando todos os sistemas meio que param à espera da mudança de horário de inverno, que acontece lá por 10 de dezembro.) No Voyages-SNCF, não saia da versão francesa; se você mudar para a versão inglesa, vai ser redirecionado ao site do TGV internacional, onde os descontos mais polpudos não aparecem.  Na Deutsche Bahn, as passagens com origem fora da Alemanha (por exemplo: Praga-Berlim) não dão direito a e-ticket; a entrega então é só pelo correio, que leva três semanas até o Brasil. Na Trenitalia, reserve os trechos em alta velocidade separadamente dos trechos regionais (que não oferecem descontos grandes porque já são normalmente baratos -- obrigado, André Lot). A mesma coisa vale para passagens a Bruges; para conseguir desconto, compre a passagem até Bruxelas (o trecho regional quase não varia de preço e pode ser comprado na hora; não há reservas neste trecho). O maior problema os sites das cias. ferroviárias européias é que muitos deles (Renfe e Trenitalia, sobretudo) encrencam com cartões emitidos no Brasil. A querida blogueira Dri Setti, que mora em Barcelona, descobriu que o Diners Club é aceito sem problemas na Renfe; quem não tiver o cartão pode tentar os trechos espanhóis mais importantes no site de reservas Atrapalo.com.
Caso você não queira esquentar a cabeça com sites estrangeiros e esteja disposto a pagar pelo serviço, há ferramentas próprias para brasileiros. A própria RailEurope (o consórcio de companhias ferroviárias liderado pela SNCF francesa) tem um site em português do Brasil; a TT Operadora é outro revendedor tradicional. Ambas aplicam sobretaxas aos trechos vendidos, mas de um tempo para cá já emitem passagens online em algumas ferrovias (antigamente as passagens vinham pelo correio).



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